Por Dr. Luiz Herculano da Silva Júnior · Otorrinolaringologista CRM 139704 SP · RQE 53167 Publicado em 11 de março de 2024 · Atualizado em 25 de setembro de 2026
Ronco e apneia do sono são atendidos pelo otorrinolaringologista e pelo médico com área de atuação em Medicina do Sono. O médico com área de atuação em Medicina do Sono é quem tem formação registrada nesse campo, e ele vem de uma de sete especialidades, entre elas a otorrinolaringologia, a pneumologia e a neurologia. O otorrinolaringologista examina o nariz e a garganta, onde costuma estar a obstrução que causa o barulho.
O ronco é o barulho que as estruturas da garganta fazem quando vibram durante o sono. Quando ele vem com pausas repetidas na respiração, que são as apneias, o quadro se chama síndrome da apneia obstrutiva do sono. Em São Paulo, o estudo EPISONO fez polissonografia em adultos da cidade e encontrou apneia obstrutiva em cerca de um em cada três.
O ronco tem duas consequências. A primeira é de convívio, porque o barulho atrapalha o sono de quem dorme ao lado. A segunda é de saúde, quando há apneia, e é dela que trata a lista abaixo.
Por que o ronco com pausas pede avaliação
Nas pausas, o oxigênio do sangue cai e o cérebro desperta por um instante para a respiração voltar. Isso se repete ao longo da noite e faz com que o sono deixe de descansar. A apneia está associada a quatro grupos de problemas:
- Coração e pressão: a apneia está associada a pressão alta, fibrilação atrial (um tipo de arritmia), doença das artérias do coração e AVC.
- Metabolismo: está associada a alterações da glicose e ao diabetes tipo 2.
- Segurança: aumenta o risco de acidente de trânsito. Nos estudos reunidos em revisão, quem tem apneia tem de 1,2 a 4,9 vezes o risco de acidente de quem não tem.
- Dia a dia: sono que não descansa, dor de cabeça ao acordar e dificuldade de concentração e de memória.
Nem todo ronco vem com apneia, e só um exame do sono separa um do outro; questionário não basta. O exame de referência é a polissonografia, que registra a respiração, o oxigênio e o sono durante a noite e mostra quantas pausas acontecem por hora. Em adultos sem outras doenças importantes, o médico pode indicar a poligrafia feita em casa. Se ela vier normal e a suspeita continuar, faz-se a polissonografia.
O que é a área de atuação em Medicina do Sono
A Medicina do Sono é uma das áreas de atuação reconhecidas pela Comissão Mista de Especialidades, formada pelo Conselho Federal de Medicina (CFM), pela Associação Médica Brasileira (AMB) e pela Comissão Nacional de Residência Médica (CNRM). A lista em vigor é a da Resolução CFM 2.380/2024. Área de atuação é uma formação que o médico faz depois da especialidade; na Medicina do Sono, ela dura um ano.
Para obter o certificado de área de atuação em Medicina do Sono, o médico precisa antes ter residência ou título em uma destas sete especialidades:
- Otorrinolaringologia
- Neurologia
- Psiquiatria
- Pneumologia
- Clínica Médica
- Pediatria
- Cardiologia
O certificado vem da residência médica credenciada pela CNRM ou da prova da AMB, feita em convênio com as sociedades dessas sete especialidades. Com o certificado, o médico registra a área no Conselho Regional de Medicina, e ela ganha um RQE (Registro de Qualificação de Especialista) próprio.
Pela Resolução CFM 2.336/2023, que regula a publicidade médica, o médico só anuncia uma especialidade ou área de atuação se tiver o RQE dela. A regra vale para o anúncio. Ronco e apneia também são atendidos por médicos de outras especialidades, como o otorrinolaringologista, o pneumologista e o neurologista.
Otorrino trata ronco e apneia?
Sim. O otorrinolaringologista examina e trata o caminho do ar, onde está parte das causas do ronco, que mudam de um paciente para outro: desvio de septo, aumento dos cornetos (estruturas de dentro do nariz que incham na rinite), amígdalas grandes, palato e úvula flácidos.
Na consulta, a gente examina o nariz e a garganta, muitas vezes com a nasofibrolaringoscopia (uma câmera fina que entra pelo nariz e mostra a garganta por dentro), e pede a polissonografia quando há suspeita de apneia.
Com o exame em mãos, o tratamento depende da gravidade e dos sintomas. Os hábitos valem para todos: peso, álcool e posição de dormir. O tratamento do nariz melhora a obstrução nasal, mas o remédio nasal sozinho não diminui o número de pausas. Na apneia moderada ou grave, ou quando há sonolência, o CPAP é o tratamento de primeira escolha. A placa feita pelo dentista é uma opção na apneia leve a moderada ou para quem não se adapta ao CPAP. A cirurgia é uma das alternativas para quem não tolera ou não aceita o CPAP, depois de uma avaliação criteriosa. O otorrinolaringologista e o médico com área de atuação em Medicina do Sono podem conduzir o quadro juntos.
Como conferir o registro do médico
Antes da consulta, você pode buscar o nome do médico no portal do CFM ou do Conselho Regional de Medicina do seu estado (em São Paulo, o Cremesp). A busca mostra o CRM, que todo médico precisa ter para exercer, e permite procurar por especialidade e por área de atuação.
Se o médico se apresenta como especialista em alguma área, ela tem de estar registrada no Conselho Regional de Medicina, e o RQE dela tem de aparecer junto do nome dele no anúncio. Na assinatura deste texto estão o meu CRM e o meu RQE, de otorrinolaringologia.
Quando procurar atendimento
Procure avaliação se você tem:
- ronco alto quase todas as noites;
- pausas na respiração notadas por quem dorme ao lado;
- despertares com engasgo ou falta de ar;
- sono durante o dia que atrapalha o trabalho, o estudo ou a direção;
- pressão alta difícil de controlar, mesmo com remédio.
Quem dorme ao lado pode vir junto à consulta, porque é quem viu as pausas.
Se você cochila ao volante ou luta contra o sono para dirigir, não dirija até ser avaliado. Esse é o sinal de urgência do ronco no adulto.
O que fazer enquanto aguarda a consulta
Dormir de lado e evitar bebida alcoólica nas horas antes de dormir diminuem o ronco. O álcool relaxa a musculatura da garganta, e isso faz com que as estruturas vibrem mais. O ganho de peso, sem dúvida nenhuma, é outro fator que piora o quadro.
Essas medidas não tratam a apneia sozinhas e não substituem a polissonografia. Há um texto sobre como diminuir o ronco aqui no site.
Perguntas frequentes
Otorrino faz polissonografia?
O otorrinolaringologista pode pedir a polissonografia e usar o resultado para conduzir o tratamento.
Quando a apneia é considerada grave?
A apneia é classificada como grave quando o índice de apneia e hipopneia (IAH), o número de pausas e de quase pausas por hora de sono, fica acima de 30 eventos por hora; entre 15 e 30, é moderada; entre 5 e 15, leve.
CPAP causa dependência?
Não. O CPAP é um aparelho que sopra ar por uma máscara e mantém a garganta aberta enquanto você dorme. Sem ele, a apneia volta, porque a causa continua presente. Por isso o uso é contínuo enquanto a causa não muda.
Convênio cobre polissonografia?
A cobertura segue o Rol de Procedimentos da ANS e o contrato do seu plano. Você pode consultar o procedimento na ferramenta Verificar cobertura de plano, no site da ANS, e confirmar com o plano antes de marcar o exame.
A escolha do tratamento se faz com o seu médico, a partir do exame e do que o ronco causa no seu sono e no seu dia a dia.
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- Conselho Federal de Medicina. Resolução CFM nº 2.380/2024 (relação de especialidades e áreas de atuação). PDF
- Conselho Federal de Medicina. Resolução CFM nº 2.336/2023 (publicidade médica). PDF
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