Rua Dr. Diogo de Faria, 1087, cj. 1001, São Paulo
(11) 5082-5082 Conheça a Clínica Notícias
Consulta

Consulta de ronco e apneia

Ronco alto, pausas na respiração ou sono durante o dia? Na consulta, o otorrino examina nariz e garganta e, se houver suspeita de apneia, pede o exame do sono (polissonografia).

O ronco é comum em quem tem apneia obstrutiva do sono, mas nem todo ronco é apneia. Os sinais que pedem investigação são pausas na respiração percebidas por quem dorme ao lado, engasgos durante o sono e sonolência durante o dia. Em São Paulo, um estudo que fez polissonografia em 1.042 adultos da população encontrou apneia obstrutiva do sono em 32,8% deles, somando todos os graus. Num estudo que acompanhou adultos por quatro anos, quem tinha apneia teve de duas a três vezes mais chance de desenvolver pressão alta, e a apneia também está associada ao AVC.

Na Clínica Garrafa, na Vila Clementino, em São Paulo, o ronco e a suspeita de apneia são avaliados em consulta com otorrinolaringologista, que procura a causa e pede exames quando há indicação.

Apesar de muitas vezes associada aos homens, a apneia também afeta mulheres. Nelas, os sintomas nem sempre são os clássicos (ronco alto ou pausas respiratórias). Queixas como insônia, dor de cabeça ao acordar e alterações de humor são frequentes, e por isso a apneia na mulher pode passar despercebida.

O ronco frequente em crianças não deve ser ignorado. Revisões de estudos populacionais estimam apneia obstrutiva do sono em 1% a 4% das crianças. Criança que ronca na maioria das noites, com pausas na respiração ou dormindo de boca aberta, deve passar por avaliação.

O ronco ocorre quando há uma obstrução parcial das vias aéreas durante o sono, causando a vibração das estruturas da garganta, o que gera o som característico. Embora possa parecer inofensivo, o ronco afeta a qualidade do sono de quem ronca e de quem dorme ao lado, levando a cansaço e irritabilidade, e pode ser sinal de apneia do sono.

Causas comuns do Ronco

As causas do ronco são variadas e podem incluir fatores genéticos, estilo de vida, condições anatômicas e até o uso de certos medicamentos. Entre os fatores mais comuns estão:

1. Fatores familiares: o ronco costuma se repetir na mesma família, e parte disso é genética. Quem tem mãe ou irmãos que roncam tem mais chance de roncar.

Por isso, na consulta, o otorrinolaringologista pergunta sobre o histórico familiar junto com os outros fatores que explicam o ronco, para identificar a causa e definir o tratamento de cada paciente.

2. Estilo de vida: o álcool em excesso e o fumo pioram o ronco. O álcool relaxa os músculos da garganta e facilita a obstrução da passagem de ar durante o sono.

Pacientes com sobrepeso ou obesidade também estão em maior risco de roncar, já que o acúmulo de gordura ao redor da garganta pode estreitar as vias respiratórias. Alimentação balanceada e atividade física ajudam a controlar o peso.

Na consulta, a orientação sobre hábitos faz parte de todo tratamento, sozinha ou junto com aparelho ou cirurgia quando há indicação. Reduzir o álcool, principalmente à noite, e parar de fumar ajudam a diminuir o ronco, embora sozinhos não resolvam todos os casos.

3. Problemas anatômicos: algumas pessoas possuem características anatômicas que favorecem o ronco. O desvio de septo, obstrução nasal, amígdalas aumentadas e outros problemas estruturais das vias aéreas podem dificultar a respiração durante o sono, levando ao ronco frequente.

Pacientes com desvio de septo podem apresentar uma obstrução crônica das narinas, o que obriga a respiração pela boca durante a noite, aumentando o risco de roncar. Do mesmo modo, amígdalas grandes ou adenoides aumentadas podem criar um bloqueio na passagem de ar, especialmente em crianças, resultando em ronco e, em alguns casos, apneia obstrutiva do sono.

Na consulta, o otorrinolaringologista Dr. Luiz Herculano (CRM 139704 SP, RQE 53167) examina nariz e garganta, com a nasofibrolaringoscopia quando necessário, para encontrar essas alterações. Quando a causa é anatômica, a cirurgia pode ser uma das alternativas, discutida com o paciente depois de avaliação criteriosa.

4. Uso de medicações: alguns remédios para dormir e calmantes podem baixar a oxigenação durante o sono em quem já tem apneia.

Se você usa remédio desse tipo e notou piora do ronco, não suspenda por conta própria. Converse com o médico que receitou e leve a lista dos remédios à consulta com o otorrinolaringologista.

Diagnóstico Uma dúvida muito comum no consultório é: como fazemos o diagnóstico da apneia do sono? Como descobrir se o meu ronco está causando algum problema de saúde?

A avaliação inicial de quem ronca baseia-se em uma anamnese detalhada e um exame físico direcionado. A anamnese deve investigar as características do ronco (intensidade, frequência, constância, associação com pausas respiratórias testemunhadas pelo parceiro(a)), sintomas diurnos sugestivos de sono fragmentado (sonolência excessiva, fadiga, dificuldade de concentração, dor de cabeça matinal), histórico de condições médicas associadas (hipertensão arterial, diabetes, doenças cardiovasculares, obesidade), uso de medicamentos (sedativos, hipnóticos), consumo de álcool e tabagismo.

O exame físico otorrinolaringológico é fundamental para identificar possíveis fatores anatômicos contribuintes. A avaliação da cavidade nasal busca por desvios septais, hipertrofia de cornetos, pólipos ou outras massas. A orofaringe é examinada para avaliar o tamanho e a posição das tonsilas palatinas, as características do palato mole e da úvula (flacidez, alongamento), e o espaço aéreo posterior. A avaliação da hipofaringe pode incluir a visualização da base da língua e das tonsilas linguais, muitas vezes requerendo o uso de nasofibroscopia.

Diagnóstico do ronco e da apneia

Segundo o Dr. Luiz Herculano, otorrinolaringologista, a consulta pode levantar a suspeita de apneia obstrutiva do sono, mas a confirmação e a gravidade dependem de exame do sono. O exame de referência é a polissonografia.



Existem quatro tipos de polissonografia, e a escolha entre eles é feita com o seu médico, de acordo com o seu caso.

Polissonografia tipo 1 é realizada em laboratório. Durante o exame, vários eletrodos são colocados no corpo para monitorar o sono, a respiração e os movimentos do paciente. Esse é o método mais completo e detalhado para entender o que está acontecendo durante o sono.

Polissonografia tipo 2 registra os mesmos sinais, mas é feita em casa, sem técnico acompanhando a noite.

A Polissonografia tipo 3 registra respiração, esforço respiratório e oxigenação. É indicada para adultos sem outras doenças importantes e com suspeita de apneia moderada a grave. Se der negativo ou inconclusivo, faz-se a polissonografia completa, em laboratório (tipo 1).

Por fim, a Polissonografia tipo 4 usa menos sinais. Um exemplo é o Biologix, um oxímetro que você coloca no dedo, ligado ao celular. Num estudo brasileiro, ele foi comparado ao exame domiciliar tipo 3 e ajuda a estimar a apneia. Não mede tudo o que a polissonografia mede.

Tratamentos O tratamento depende da causa e da gravidade. No ronco sem apneia (ronco primário), as mudanças de hábito vêm junto com o aparelho intraoral quando a pessoa quer tratar o ronco. Na apneia, o CPAP é indicado quando há sonolência durante o dia ou outros sintomas, mesmo na apneia leve, e é a primeira linha na apneia moderada a grave. O aparelho intraoral é alternativa para quem não se adapta ao CPAP ou prefere outra opção. As mudanças de hábito entram em todos os casos.



Tratamentos do ronco

As opções principais são quatro:

1. Aparelhos bucais

Os dispositivos intraorais são aparelhos confeccionados sob medida por dentistas especializados, que são utilizados dentro da boca durante o sono para modificar a posição da mandíbula e/ou da língua, aumentando o espaço das vias aéreas superiores. Os mais comuns são os dispositivos de avanço mandibular, que tracionam a mandíbula para frente, levando consigo a base da língua e o palato mole, ampliando o espaço retrolingual e retropalatal. Existem também dispositivos retentores de língua, que mantêm a língua em uma posição anteriorizada por sucção.

Esses aparelhos são indicados para ronco primário e para apneia leve a moderada, especialmente em pacientes não obesos e com alguma retrusão mandibular, e são alternativa para quem tem apneia grave e não tolera ou recusa o CPAP. São feitos sob medida e ajustados por dentista, com exame do sono de controle. A redução da apneia e a melhora da sonolência estão documentadas em ensaios clínicos randomizados, em geral menores que as do CPAP nos casos mais graves.

2. CPAP (Pressão Positiva Contínua nas Vias Aéreas)

O CPAP é o tratamento de primeira linha para a apneia obstrutiva do sono moderada a grave. Consiste em um aparelho que gera um fluxo de ar pressurizado, transmitido através de uma máscara nasal, oronasal ou facial, que atua como um “colchão de ar” pneumático, prevenindo o colapso das vias aéreas superiores durante o sono. A pressão necessária para manter a via aérea pérvia é titulada individualmente durante a polissonografia ou por meio de algoritmos em aparelhos autoajustáveis.



O CPAP demonstra alta eficácia na eliminação das apneias e hipopneias, normalização da saturação de oxigênio, redução do ronco, melhora da sonolência diurna, da qualidade de vida e do controle da pressão arterial em pacientes com a síndrome. No entanto, manter o uso a longo prazo é um desafio: numa revisão de 82 estudos, cerca de um em cada três pacientes não manteve o uso. Fatores como desconforto com a máscara, ressecamento nasal, claustrofobia, ruído do aparelho e falta de percepção de benefício podem limitar a adesão. A educação do paciente, o suporte contínuo, a escolha adequada da máscara e o uso de umidificadores aquecidos são estratégias importantes para melhorar a tolerância e a adesão ao CPAP.

3. Cirurgias

A uvulopalatofaringoplastia foi historicamente um dos procedimentos cirúrgicos mais realizados para o tratamento do ronco e da Síndrome da Apneia Obstrutiva do Sono, particularmente em casos associados à obstrução no nível orofaríngeo (palato mole e úvula). A técnica visa ampliar o espaço aéreo retropalatal através da ressecção de tecidos redundantes ou obstrutivos nesta região.

4. Mudanças no estilo de vida

Mudar hábitos e tratar as condições de saúde que pioram o ronco e a SAOS (apneia obstrutiva do sono) é a base do tratamento conservador. Para quem tem sobrepeso, perder peso é uma das medidas de maior efeito: num estudo populacional, perder 10% do peso se associou a queda de cerca de 26% no índice de apneia. Manter o peso perdido a longo prazo, no entanto, pode ser difícil.

Evitar álcool nas horas antes de dormir ajuda a diminuir o ronco, porque o álcool relaxa os músculos que mantêm a garganta aberta. Remédios sedativos ou relaxantes devem ser revistos com o médico que os receitou, nunca suspensos por conta própria. Parar de fumar também é recomendado, porque o fumo inflama as vias aéreas.



A Clínica Garrafa avalia o ronco e discute com cada paciente as opções, das medidas de hábito à cirurgia. A equipe da Clínica Garrafa reúne otorrinolaringologistas e fonoaudiólogas.

Como reduzir o ronco com hábitos simples

Algumas medidas do dia a dia diminuem o ronco e as pausas respiratórias da apneia do sono. Embora sejam simples na teoria, são mudanças de estilo de vida e, consequentemente, exigem mais do paciente.

O primeiro ponto é o peso, explica o Dr. Luiz Herculano. O ganho de peso, sem dúvida nenhuma, piora o ronco, e cuidar da alimentação e fazer atividade física regular ajudam a controlar esse fator. Outros dois fatores que estão no nosso controle são o álcool e o cigarro.

Quando consumidos com frequência, os dois pioram o ronco e trazem outros prejuízos à saúde. Mudar esses hábitos faz parte de qualquer tratamento e, sozinho, não garante que o ronco acabe.

A causa do ronco define o tratamento, e quem investiga a causa é o otorrinolaringologista. O tratamento vai da mudança de hábitos ao aparelho para dormir (CPAP ou aparelho intraoral) e, para casos selecionados, à cirurgia.

Apneia do Sono e AVC: Qual a Relação?

Como a apneia do sono influencia no risco de AVC? Quem deve se preocupar com essa correlação?

A apneia do sono é fator de risco para doenças cardiovasculares, entre elas o AVC, conhecido popularmente como derrame.

Na apneia do sono, as pausas repetidas na respiração fazem cair o oxigênio no sangue e subir a pressão arterial. Com o tempo, isso pode lesar os vasos sanguíneos e aumentar o risco de AVC.

Principais mecanismos que ligam a Apneia do Sono ao AVC:

  • Hipóxia intermitente: as quedas repetidas do oxigênio no sangue estimulam inflamação e favorecem a formação de coágulos.
  • Oscilações na pressão arterial: durante as pausas respiratórias, o corpo libera hormônios do estresse, como adrenalina, que elevam a pressão arterial.
  • Inflamação crônica: a apneia do sono gera um estado inflamatório que contribui para o endurecimento das artérias (aterosclerose).
  • Arritmias cardíacas: alterações no ritmo cardíaco são comuns em pacientes com apneia.
  • Fragmentação do sono: o descanso de má qualidade pode afetar a regulação da pressão arterial e da circulação.


Em estudos que acompanharam pessoas por anos, quem tinha apneia teve cerca de duas vezes mais AVC ou morte, e entre homens com apneia mais intensa o risco de AVC foi quase três vezes maior.

Muitas pessoas encaram o ronco como algo inofensivo, mas ele pode ser sinal de apneia do sono, que é fator de risco para o AVC e outras doenças cardiovasculares. Por isso o ronco com pausas na respiração merece investigação.

Ronco alto, pausas na respiração percebidas por quem dorme ao lado e sonolência durante o dia são motivo para consulta com otorrinolaringologista. Sonolência ao dirigir é sinal de urgência: evite dirigir e procure avaliação logo.
Ver mapa
Fechar WhatsApp
WhatsApp Logo
Agende pelo Whatsapp Tire suas dúvidas e agende por Convênio ou Particular com as nossas atendentes.