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Carne Esponjosa

Por Dr. Luiz Herculano da Silva Júnior · Otorrinolaringologista CRM 139704 SP · RQE 53167 Publicado em 2 de outubro de 2024 · Atualizado em 28 de setembro de 2026

Carne esponjosa é o nome popular de duas estruturas diferentes: a adenoide, na criança, e os cornetos inferiores, no adulto. A adenoide fica atrás do nariz, no alto da garganta, e os cornetos ficam dentro do nariz. Quando uma ou outra cresce além do esperado, os sinais são nariz entupido, respiração pela boca e ronco. Se o seu filho ronca e para de respirar por alguns segundos enquanto dorme, leve-o ao otorrino o quanto antes.



Nas duas idades, o mecanismo é parecido. A estrutura incha ou cresce, ocupa o espaço por onde o ar passa, e o ar deixa de entrar direito pelo nariz. Por isso a pessoa passa a respirar pela boca e, deitada, ronca. O que muda com a idade é a estrutura que cresce, a causa e o tratamento.

No vídeo, o Dr. Luiz Herculano da Silva Júnior, otorrinolaringologista da Clínica Garrafa, explica a diferença entre a carne esponjosa da criança e a do adulto.

Carne esponjosa na criança: a adenoide

A adenoide é uma estrutura normal. Todas as crianças têm, e ela faz parte do sistema de defesa do organismo nos primeiros anos de vida. Fica na rinofaringe (o espaço atrás do nariz, acima do céu da boca), um lugar que não se enxerga olhando a garganta. O problema é quando ela cresce além do esperado e fecha a passagem do ar entre o nariz e a garganta.

criança carne esponjosa

Sintomas na criança: o que os pais percebem em casa

Com a adenoide aumentada, a criança pode ter um ou mais destes sinais:

  • dorme de boca aberta e ronca;
  • respira pela boca também acordada, vendo televisão ou brincando;
  • baba no travesseiro;
  • para de respirar por alguns segundos durante o sono e volta com um ronco forte ou um engasgo, que é a apneia obstrutiva do sono;
  • tem otite ou sinusite que se repetem várias vezes no ano.

Carne esponjosa no adulto: os cornetos inferiores

Já no adulto, carne esponjosa é o nome dado aos cornetos inferiores aumentados. Os cornetos são estruturas de tecido esponjoso que ficam dentro do nariz, na parede lateral de cada lado. Eles aquecem, umedecem e filtram o ar que respiramos. Quando incham, ocupam o espaço por onde o ar passa.

No adulto, os sintomas mais comuns são:

  • nariz entupido quase todos os dias, mesmo sem resfriado;
  • entupimento que piora ao deitar ou em ambiente de ar seco, como o ar-condicionado;
  • ronco à noite, porque o ar passa com dificuldade pelo nariz.

Por que o nariz entupido piora ao deitar e à noite

Deitado, os vasos da mucosa do nariz enchem mais de sangue, e a passagem do ar fica um pouco mais estreita do que em pé. Deitado de lado, o lado de baixo costuma entupir mais, e por isso o entupimento costuma mudar de lado quando você vira na cama.

No vídeo, o Dr. Luiz Herculano da Silva Júnior, otorrinolaringologista da Clínica Garrafa, explica por que o nariz entupido piora ao deitar e à noite.

O nariz também alterna a congestão entre um lado e o outro ao longo do dia e da noite, o que se chama ciclo nasal (a mucosa de um lado incha enquanto a do outro desincha). Em geral, esse ciclo passa despercebido.

Já com rinite alérgica, cornetos aumentados ou desvio de septo, o espaço por onde o ar passa é menor antes mesmo de você deitar. O inchaço da posição deitada se soma a esse aperto, e o entupimento da noite pode ficar mais forte. Quando causa sintoma, o desvio de septo costuma fechar mais um dos lados. A rinite alérgica pode aumentar os cornetos inferiores, a carne esponjosa do adulto.

No consultório, eu pergunto se o entupimento troca de lado ou fica sempre no mesmo, e se aparece só na cama ou também durante o dia. Entupimento sempre do mesmo lado, que vem piorando ou que vem com sangramento pelo nariz daquele lado, precisa de avaliação no otorrino, com exame do nariz por dentro, como a nasofibrolaringoscopia.

Por que a carne esponjosa cresce

Na criança, a adenoide pode crescer por infecções que se repetem, por alergia ou por predisposição da própria criança.

Já no adulto, os cornetos incham por:

  1. rinite alérgica, a inflamação do nariz causada por alergia respiratória;
  2. sinusite e outras infecções do nariz;
  3. desvio de septo (o septo é a parede que divide o nariz em dois lados): quando ele entorta para um lado, aquele lado fica mais fechado, e o corneto do outro lado costuma crescer para compensar;
  4. exposição frequente a fumaça, poeira e outros irritantes.

Como é feito o diagnóstico da carne esponjosa

O diagnóstico é feito no exame do otorrinolaringologista. Na clínica, nós fazemos a nasofibrolaringoscopia (um tipo de endoscopia nasal, com uma câmera fina e flexível que entra pelo nariz e pode seguir até a laringe) durante a própria consulta. Ela mostra o tamanho da adenoide e dos cornetos e o quanto eles fecham a passagem do ar. Para olhar só o nariz, o exame leva cerca de 20 segundos.

Em alguns casos entram outros exames:

  • radiografia, que também mostra o tamanho da adenoide na criança;
  • tomografia, quando há suspeita de sinusite crônica ou de complicação, para ver o interior do nariz e dos seios da face;
  • polissonografia (exame do sono, feito durante uma noite), quando há suspeita de apneia.

Tratamento da carne esponjosa na criança e no adulto

Para o nariz entupido pela adenoide ou pelos cornetos, minha conduta é começar pelo tratamento clínico:

  1. lavagem nasal com soro fisiológico, para limpar o nariz;
  2. corticoide nasal, um spray que reduz a inflamação dentro do nariz;
  3. descongestionante nasal, só por poucos dias e com orientação médica, porque na criança pequena o excesso pode causar intoxicação.

Se o nariz continua entupido com esse tratamento, a gente reavalia no consultório e conversa sobre a cirurgia.

Na criança com apneia, a conduta muda

Quando a criança tem apneia obstrutiva do sono e a adenoide e as amígdalas estão aumentadas, o tratamento indicado em primeiro lugar é a adenotonsilectomia (retirada da adenoide e das amígdalas na mesma cirurgia). Na apneia leve, o corticoide nasal fica como opção em casos escolhidos, por exemplo quando a cirurgia não pode ser feita ou quando sobra uma apneia leve depois dela, e a criança precisa ser reavaliada, porque a evidência a favor do spray na apneia é fraca. Por isso, na criança que ronca e para de respirar dormindo, a avaliação vem antes de qualquer spray.

Quando a cirurgia entra

A decisão de operar depende do tamanho da adenoide ou dos cornetos no exame, de quanto a obstrução atrapalha o sono e o dia, da resposta ao tratamento clínico e, na criança, de haver apneia.

As cirurgias usadas são:

  • adenoidectomia (retirada da adenoide), na criança em que a adenoide aumentada é a causa da obstrução;
  • adenotonsilectomia (retirada da adenoide e das amígdalas), na criança com apneia obstrutiva e adenoide e amígdalas aumentadas;
  • redução dos cornetos inferiores, no adulto, para diminuir o volume dos cornetos.

Como toda cirurgia, essas também têm riscos. Eles são explicados na consulta, junto com o que esperar da recuperação, antes de qualquer decisão.

Quando procurar atendimento

Leve seu filho ao otorrino o quanto antes se ele:

  • ronca na maior parte das noites;
  • para de respirar por alguns segundos enquanto dorme, ou acorda engasgado;
  • dorme e passa o dia de boca aberta;
  • tem otite ou sinusite que voltam várias vezes no ano.

No adulto, procure avaliação se:

  • o nariz fica entupido quase todos os dias, mesmo sem resfriado, e não melhora com a lavagem nasal;
  • você só consegue dormir usando descongestionante nasal;
  • quem dorme com você percebe ronco com pausas na respiração;
  • você sente sono durante o dia mesmo depois de uma noite inteira na cama;
  • o nariz entope sempre do mesmo lado ou vem piorando;
  • há sangramento pelo nariz de repetição, de um lado.

Procure o pronto-socorro se o sangramento nasal não para com compressão firme da parte baixa do nariz.

Se você sente sono ao dirigir, não dirija até ser avaliado e procure o otorrino logo.

Nenhum artigo substitui a consulta presencial. Se o nariz vive entupido ou a criança ronca, é o exame do otorrino, com a nasofibrolaringoscopia, que mostra se a carne esponjosa é a causa e qual tratamento serve para o caso.

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